<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Terror corporativo: o Burnout mora ao lado]]></title><description><![CDATA[Aqui trago histórias que ouço ou que vivi em um passado distante ou até mesmo em outras vidas das quais nem me reconheço devida a proporção dos traumas. Contém humor, glúten da cerveja que bebo enquanto escrevo e bastante sarcasmo como aperitivo. ]]></description><link>https://terrorcorporativo.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MB7a!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbfd89e9-397e-446a-aedc-88c628999357_1000x1000.png</url><title>Terror corporativo: o Burnout mora ao lado</title><link>https://terrorcorporativo.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 28 May 2026 03:05:39 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://terrorcorporativo.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Mariana L. Matsuo]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[terrorcorporativo@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[terrorcorporativo@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Mari]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Mari]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[terrorcorporativo@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[terrorcorporativo@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Mari]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Termina-se uma feira, nasce um trauma.]]></title><description><![CDATA[Ou v&#225;rios, porque trauma em evento &#233; igual brinde: voc&#234; acha que vai ganhar um, mas sai com a sacola cheia.]]></description><link>https://terrorcorporativo.substack.com/p/termina-se-uma-feira-nasce-um-trauma</link><guid isPermaLink="false">https://terrorcorporativo.substack.com/p/termina-se-uma-feira-nasce-um-trauma</guid><dc:creator><![CDATA[Mari]]></dc:creator><pubDate>Mon, 16 Feb 2026 21:17:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MB7a!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbfd89e9-397e-446a-aedc-88c628999357_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ou v&#225;rios, porque trauma em evento &#233; igual brinde: voc&#234; acha que vai ganhar um, mas sai com a sacola cheia.</p><p>A feira acabou oficialmente na sexta (13) &#224;s 18h, mas emocionalmente ainda estou organizando o estande, sorrindo para desconhecidos e explicando pela cent&#233;sima vez onde fica o banheiro. Se eu fechar os olhos, ou&#231;o o eco da multid&#227;o - aquela horda organizada de zumbis dos brindes. Eles n&#227;o andam, deslizam. N&#227;o falam, berram: &#8220;tem chap&#233;u?&#8221;. S&#227;o movidos a caf&#233; gelado e &#224; esperan&#231;a de uma sacola de TNT. </p><p>H&#225; tamb&#233;m os colegas acometidos pela S&#237;ndrome de Aladim - n&#227;o o da l&#226;mpada, o do tapete. Gente que n&#227;o resiste a puxar um daqueles que se destacam. Basta um descuido e l&#225; se vai o tapete persa da harmonia corporativa, voando baixo. No fundo, todo mundo quer um pouco de protagonismo. Uns conseguem com carisma; outros, com pux&#245;es estrat&#233;gicos.</p><p>E o calor. Ah, o calor. N&#227;o era um simples fen&#244;meno meteorol&#243;gico, era um petisco do inferno servido em por&#231;&#245;es generosas. A sensa&#231;&#227;o era de estar sendo lentamente assado em uma churrasqueira corporativa, temperado com desodorante vencido e picol&#233; com gosto de &#225;gua de torneira. Talvez o inferno seja isso mesmo: seis dias de feira, roupa quente, de tecido sint&#233;tico e ar-condicionado que s&#243; funciona na sala de reuni&#245;es.</p><p>Ent&#227;o chegou a sexta-feira. Sexta, essa entidade m&#237;stica que promete liberdade. A Lili (liberdade para os &#237;ntimos) cantou no meu ouvido como um anjo sindicalizado. Eu j&#225; me via abra&#231;ando o sof&#225;, declarando amor eterno ao sono dos justos.</p><p>Mas a vida, que tem um humor peculiar, reservava o gran finale. Cheguei para finalizar o expediente e encontrei meu p&#243;bi carro transformado em pino de boliche. Uma caminhonete resolveu treinar strike com o que restava da minha dignidade. E acertou em cheio. Strike t&#233;cnico na minha sa&#250;de mental, que j&#225; vinha cambaleando desde sei l&#225; quando.</p><p>Ali, diante do carro amassado, entendi que a feira n&#227;o termina quando desmontam o estande. Ela termina quando voc&#234; aceita que sobreviveu.</p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Obrigada pelo café, bruxa do 71.]]></title><description><![CDATA[Obrigada pelo caf&#233;, bruxa do 71]]></description><link>https://terrorcorporativo.substack.com/p/obrigada-pelo-cafe-bruxa-do-71</link><guid isPermaLink="false">https://terrorcorporativo.substack.com/p/obrigada-pelo-cafe-bruxa-do-71</guid><dc:creator><![CDATA[Mari]]></dc:creator><pubDate>Tue, 16 Dec 2025 05:20:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MB7a!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbfd89e9-397e-446a-aedc-88c628999357_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Obrigada pelo caf&#233;, bruxa do 71</p><p>O ch&#225; revela&#231;&#227;o de meu primeiro burnout merece os devidos cr&#233;ditos. </p><p>A bruxa do 71 &#233; respons&#225;vel pelo meu primeiro burnout. Especialista em elogios que feriam mais do que cr&#237;ticas, ela dominava a arte de te elevar com uma m&#227;o enquanto, com a outra, calculava friamente a altura da queda. Voc&#234; sa&#237;a da sala se sentindo capaz de tudo e, ao mesmo tempo, completamente insuficiente.</p><p>Eu era apenas uma jovem tentando dar o melhor de si, acreditando que esfor&#231;o era sin&#244;nimo de valor, entregando mais do que o corpo, o tempo e a sanidade deveriam permitir. Fazia al&#233;m do poss&#237;vel, al&#233;m do combinado, al&#233;m do hor&#225;rio e, principalmente, al&#233;m do saud&#225;vel, porque ainda n&#227;o tinha aprendido que dedica&#231;&#227;o sem limite costuma ser s&#243; explora&#231;&#227;o bem maquiada.</p><p>A bruxa me obrigava a andar de salto agulha pelas descidas ingratas do centro da cidade para fotografar vitrines e produtos &#8220;novidade&#8221; das lojas que eu atendia como social media. Era gerar conte&#250;do numa &#233;poca em que o Facebook ainda era mato e o Orkut j&#225; tinha virado um bar de velhos, disputando t&#243;picos e migalhas de intera&#231;&#227;o em comunidades que se recusavam a morrer.</p><p>E l&#225; estava eu, descendo ladeiras f&#237;sicas enquanto tentava subir m&#233;tricas digitais, carregando c&#226;mera, ideias, ansiedade e prazos irreais, acreditando que aquilo tudo fazia parte de algum rito de passagem profissional que, no futuro, faria sentido. N&#227;o fazia.</p><p>&#8220;Voc&#234; &#233; boa&#8221;, ela dizia, e por um segundo eu acreditava, at&#233; que o mas surgia, sempre pesado, sempre definitivo: &#8220;mas eu sou melhor&#8221;. N&#227;o era uma compara&#231;&#227;o direta, era um lembrete constante de hierarquia, um jeito elegante de manter tudo no devido lugar. Ela no topo, todos os outros em permanente estado de teste.</p><p>Burnout. Chegou humilhando, pesado, denso. Depressivo. Na &#233;poca n&#227;o tinha esse nome, n&#227;o tinha essa popularidade. Era visto como um ataque de pelanca. </p><p>Me retirei, troquei de &#225;rea. Mas sempre tinha um convite pra um caf&#233;zinho pra saber das novidades de eu ter me "reencontrado". </p><p>&#8212; Voc&#234; gostaria de uma x&#237;cara de caf&#233;? Ela se disfar&#231;ando de dona Florinda. Eu aceitava, ainda ing&#234;nua, sem perceber que aquele convite vinha com cl&#225;usulas invis&#237;veis. Pimba. Semanas depois, a minha ideia aparecia, lapidada, amadurecida, apresentada como se tivesse brotado espontaneamente em alguma madrugada iluminada apenas pelo ego dela. Cr&#233;ditos nunca eram servidos junto com o caf&#233;; talvez fossem uma bebida que eu simplesmente n&#227;o soube pedir.</p><p>Do caf&#233;, eu parei. Do conv&#237;vio, me distanciei. E daquela vila do Chaves, com suas din&#226;micas repetidas, personagens previs&#237;veis e risadas enlatadas, eu n&#227;o entro mais. Hoje eu sei que n&#227;o existe m&#233;rito em sobreviver a ambientes que adoecem, apenas uma romantiza&#231;&#227;o perigosa da exaust&#227;o. Existe, sim, coragem em sair. Mas sempre haver&#225; a bruxa do 71 rindo no podcast das vozes da minha cabe&#231;a.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sobremesa após burnout]]></title><description><![CDATA[Quando The Bear encontra The Office e eu descubro que o burnout era s&#243; o pr&#243;logo.]]></description><link>https://terrorcorporativo.substack.com/p/sobremesa-apos-burnout</link><guid isPermaLink="false">https://terrorcorporativo.substack.com/p/sobremesa-apos-burnout</guid><dc:creator><![CDATA[Mari]]></dc:creator><pubDate>Sat, 29 Nov 2025 20:31:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MB7a!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbfd89e9-397e-446a-aedc-88c628999357_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quando The Bear encontra The Office e eu descubro que o burnout era s&#243; o pr&#243;logo.</p><p>H&#225; quem diga que a cozinha profissional &#233; um templo de disciplina, precis&#227;o e hierarquia. Claramente, essas pessoas nunca trabalharam em cozinha nenhuma. Imagine os personagens de The Office, especificamente Michael Scott tendo um restaurante. Pronto, agora voc&#234; j&#225; pode imaginar o cen&#225;rio desta cr&#244;nica. </p><p>Foi nesse universo paralelo que eu fui parar depois do meu primeiro burnout. Aquele burnout t&#227;o bonito, t&#227;o completo, que quase veio com certificado pr&#233;vio enquanto cursava o terceiro ano de publicidade. Na &#233;poca n&#227;o tinha esse naming. S&#243; fui maluca o suficiente pra saber que n&#227;o queria exatamente aquilo pra minha vida. Enquanto as pessoas normais voltam da exaust&#227;o fazendo terapia e pilates, eu resolvi reinventar minha vida: fui fazer gastronomia, vender cerveja artesanal e ser a jovem alternativa. </p><p>Diploma fresco na m&#227;o ap&#243;s dois anos de curso t&#233;cnico (e sim, eu venci os 4 anos de gradua&#231;&#227;o em Comunica&#231;&#227;o Social, me formei!) entrei como assistente de cozinha achando que finalmente encontraria a paz.</p><p>A equipe era 80% masculina e o dono do restaurante tinha aquela energia t&#237;pica de quem assistiu The Office achando que Michael Scott &#233; um gerente inspirador. Tudo isso embalado naquele ritmo fren&#233;tico de The Bear: calor, press&#227;o, caos, lou&#231;as empilhadas e uma coreografia de panelas batendo que deixaria o Carmy no cantinho respirando fundo.</p><p>O senhor Scott, dono do restaurante, uma figura complexa, temperada com pinos de sal, frases motivacionais tortas e uma convic&#231;&#227;o inabal&#225;vel de que cada novo dia era perfeito para testar um &#8220;modelo de neg&#243;cios revolucion&#225;rio&#8221;.</p><p>Eu era o rato.</p><p>Ele, o cientista maluco.</p><p>E o laborat&#243;rio? Bom&#8230; Uma sorveteira desativada, uma cozinha sucateada e um sal&#227;o de atendimento com decora&#231;&#227;o diferente o suficiente para o Oeste do Paran&#225;, comum demais para S&#227;o Paulo. </p><p>A rotina seguia seu fluxo desorganizado at&#233; o dia em que dois ratinhos do laborat&#243;rio (o chef e o sous chef) decidiram medir for&#231;as numa queda de bra&#231;o, logo ap&#243;s o servi&#231;o do almo&#231;o. Uma esp&#233;cie de Ensaio sobre a Masculinidade Fr&#225;gil, vers&#227;o culin&#225;ria.</p><p>Corte seco: CRAC. O sous chef quebrou o bra&#231;o. Eu juro que n&#227;o &#233; exagero.</p><p>E como em The Bear, naquele momento em que o caos vira responsabilidade de algu&#233;m, de repente todo mundo virou para mim. Eu, rec&#233;m-sa&#237;da de um burnout, rec&#233;m-formada e ainda tentando lembrar a diferen&#231;a entre cortes finos e picar grosso, virei a chefe improvisada da cozinha.</p><p>Assumir aquilo foi um ato de coragem (ou desespero). Talvez ambos.</p><p>Chamei a Julian, minha amiga fiel, para administrar o restaurante comigo e criar uma esp&#233;cie de dupla improv&#225;vel: eu no inferno da cozinha, ela do purgat&#243;rio tentando decifrar os del&#237;rios corporativos do chefe motivacional sob uso de&#8230; tempero. </p><p>Todos os dias ele chegava com mantras como:</p><p>&#8212; &#8220;Equipe! Vamos inovar o card&#225;pio!&#8221; (sendo que ele mesmo n&#227;o lembrava o card&#225;pio do dia)</p><p>&#8212; &#8220;Voc&#234;s s&#227;o o cora&#231;&#227;o desse restaurante&#8221; (logo antes de implementar mais duas regras absurdas que ferem a CLT)</p><p>&#8212; &#8220;Pensem fora da caixa! Precisamos economizar&#8221; (ningu&#233;m nunca soube onde ficava essa caixa, essa mesma&#8230; a da gorjeta - pois ele mesmo n&#227;o respeitava seu pr&#243;prio pr&#243;-labore)</p><p>Daquele laborat&#243;rio vivi hist&#243;rias suficientes para escrever uma temporada inteira de qualquer s&#233;rie culin&#225;ria.</p><p>Eu sobrevivi e sa&#237; inteira. J&#225; meu querido amigo, sem os movimentos de um dos bra&#231;os.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[É o tchan da refação]]></title><description><![CDATA[No escrit&#243;rio, ningu&#233;m mais acredita em &#8220;vers&#227;o final&#8221;. Esse conceito morreu ali por 2012, soterrado sob um PDF_final_versao3_agora_vai_definitivo_final_mesmo2.pdf]]></description><link>https://terrorcorporativo.substack.com/p/e-o-tchan-da-refacao</link><guid isPermaLink="false">https://terrorcorporativo.substack.com/p/e-o-tchan-da-refacao</guid><dc:creator><![CDATA[Mari]]></dc:creator><pubDate>Sat, 22 Nov 2025 21:07:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MB7a!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbfd89e9-397e-446a-aedc-88c628999357_1000x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>E &#233; nesse ambiente hostil &#224; conclus&#227;o que nasce um micro terror corporativo: a coreografia do retrabalho. Nasceu um trauma, um passo de dan&#231;a, um refr&#227;o infinito.</p><p>A protagonista? Eu mesma. Desavisada, inocente, crente de que tinha encerrado uma tarefa. Acreditando com as pe&#231;as em m&#227;os, vejam s&#243;, que os bot&#245;es da minha sanidade ainda seguravam as pontas. Mas o mundo corporativo &#233; trai&#231;oeiro: no sil&#234;ncio aberto do escrit&#243;rio, algu&#233;m sempre aciona o gatilho invis&#237;vel.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://terrorcorporativo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Terror corporativo: o Burnout mora ao lado! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>&#201; mental. &#201; coletivo. &#201; ritual&#237;stico.</p><p>E l&#225; vou eu, de volta pra revis&#227;o, rebolando a dignidade como uma Carla Perez das refa&#231;&#245;es. Cada coment&#225;rio do Docs &#233; um tchan. Cada alinhamento &#233; um tchutchuca. Cada sugest&#227;o &#233; um &#8220;sobe no deadline, desce no contra-briefing&#8221;.</p><p>E quando penso que finalmente acertei&#8230; algu&#233;m pede para &#8220;ajustar s&#243; um detalhezinho&#8221;. Esse detalhe, claro, exige refazer metade do trabalho, tr&#234;s reuni&#245;es, dois alinhamentos, pe&#231;as impressas e inteiramente rabiscadas que poderia se tornar uma ilustra&#231;&#227;o de um tirinha de algum jornal impresso que ainda ousa resistir ao tempo do digital, um suspiro e o retorno triunfal do vil&#227;o da minha carreira: o alma penada.</p><p>Sim, o mestre dos magos, a maria fuma&#231;a do tabagismo. Aquele sujeito cujo apelido j&#225; carregava o pren&#250;ncio da desgra&#231;a. Parecia um bicheiro pobre, com sua camisa de manga curta sempre lutando pela vida, bot&#245;es tentando (e falhando) em ocultar o peito com pelos brancos. O cabelo dele formava uma guirlanda ao redor da careca lustrada, quase natalina e aleg&#243;rica, como se o Natal fosse patrocinado por um brech&#243; de decis&#245;es ruins.</p><p>O alma penada tinha o poder sombrio de transformar qualquer tarefa simples em uma epopeia de retrabalho. Ele n&#227;o revisava: ele invocava refa&#231;&#245;es. Era quase um personagem mitol&#243;gico. Se algu&#233;m dissesse &#8220;envia assim mesmo&#8221;, ele surgia do nada, como se tivesse contrato com o inferno corporativo, para dizer: &#8220;melhor ajustar mais, falta um boom, um vupt, um... TCHAN&#8221;.</p><p>E l&#225; estava eu, novamente, rebolando no meio do caos. A Carla Perez vers&#227;o nip&#244;nica do retrabalho, precisando que todo o time dance a coreografia. No final do expediente&#8230; quem manda &#233; o Tchan. E voc&#234; sempre fica no looping infinito do refr&#227;o da refa&#231;&#227;o.</p><p>Este &#233; um dos contos de terror da s&#233;rie: micro terror corporativo, o Burnout mora ao lado. Que trago hist&#243;rias que ou&#231;o ou que vivi em um passado distante ou at&#233; mesmo em outras vidas das quais nem me reconhe&#231;o devida a propor&#231;&#227;o dos traumas. Cont&#233;m humor, gl&#250;ten da cerveja que bebo enquanto escrevo e bastante sarcasmo como aperitivo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://terrorcorporativo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Terror corporativo: o Burnout mora ao lado! 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Cont&#233;m humor, gl&#250;ten da cerveja que bebo enquanto escrevo e bastante sarcasmo como aperitivo.</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>